|
Vicente Serejo Dias
Nascido a 9 de março de 1896, em Belém do Pará, Vicente Serejo Dias, o "Alemãozinho", foi o sexto filho do casal Francisco Serejo Dias e Gregória Sanches Dias. Em 1942, contraiu núpcias com Eulina Ferreira Dias, uma ludovicense com quem teve cinco filhos: Yolanda, Walter (médico oftalmologista do Capit 09), Aída, Kléber e Vicente, todos ainda vivos.
Criado por um avô, dono de oficina em Belém, bem cedo o "Alemãozinho" foi iniciado nas "artes" da mecânica, a qual exerceu uma influência duradoura em suas opções profissionais. Assim, trabalhou como "motorista" (termo que, na primeira metade do século XX, se referia especialmente aos mecânicos) e "chauffeur" (galicismo hoje em desuso, que designava os motoristas). Sua "carteira de chauffeur" foi emitida ainda na capital paraense.
Uma vez tomada a decisão de mudar-se para São Luís, dedicou-se com afinco às atividades de transporte de passageiros, trabalhando com um "carro de praça" (táxi) no secular Largo do Carmo (ou Praça João Lisboa), centro político e cultural da cidade. O crescimento demográfico, aliado às reformas urbanas empreendidas pelo interventor Paulo Ramos (1936/1945), ampliou as possibilidades para aqueles empreendedores que anteviam nos ônibus uma alternativa de transporte de massas, frente à precariedade do sistema de bondes administrado pela ULEN (empresa norte–americana que explorava este serviço desde 1924).
Desta forma, em meados da década de 1940, Vicente Serejo Dias "fabricou" o seu primeiro ônibus, apelidado de "Gigante", de marca Chevrolet, cuja carroceria de madeira foi construída nas oficinas do mesmo pelo marceneiro e artesão "Carambela". Em seguida, adquiriu um Chassi Ford e um Dodge, até atingir uma frota de dez ônibus, atendendo às linhas de São Pantaleão, Monte Castelo, Jordoa, João Paulo, Anil e Ribamar (em substituição aos carros de boi que serviam a cidade balneária).
Nestes tempos pioneiros das décadas de 1940 e 1950, em que circulavam poucos coletivos e a maioria dos proprietários possuía somente um ônibus, era costume "batizar" os carros com nomes sugestivos, tais como, a "Barca" (de Benedito Pires I), "Bonitão" (de Walter Fontoura), "Moby Dick" (de Rafael Milão), "Primor" (de Valter Ribeiro Alves), "Gilda" e "Zeppelin" (ambos de Joaquim "Português"). Mas, dentre todos, indiscutivelmente um dos mais famosos ônibus foi o "Mimoso", de Vicente Serejo Dias. Este era um GMC 51, que exercia uma atração especial entre a população ludovicense, com seu estilo luxuoso até nos menores detalhes: pintura à pistola, polimento da parte interna da carroceria de madeira, bancos cobertos de pelica, espelhos com nome "Mimoso" gravado a areia e janelas de cristal bizotado.
Buscando melhorar o padrão de atendimento e conforto dos usuários, o empresário Vicente Serejo Dias expandia suas atividades (chegando a fazer linhas para o interior do Maranhão, a exemplo do "misto" ônibus-caminhão que seguia para Pedreiras), ao mesmo tempo em que se envolvia com a defesa dos interesses de sua categoria. Assim, participou ativamente da fundação da Associação dos Proprietários de Transportes Urbanos de São Luís (APTUS) em 1955, o primeiro "sindicato" patronal do setor no Maranhão. Consta ainda de seu pioneirismo a representação dos "automóveis e caminhões da marca Studebaker de fabricação Norte-Americana".
No final dos anos 50, o empresário que havia enviado seus filhos para fora do Estado com o objetivo de estudar, viu-se acometido de problemas de saúde e principalmente da presença de um herdeiro para dar continuidade a seu negócio. Com isso, pouco a pouco, começou a se desfazer de sua frota de veículos até restar somente "Mimoso", o último a ser vendido (episódio que lembra os versos da música popular maranhense: "E lá vai mimoso, com todo seu guarnicê..."). Em 1962, aposentou-se pelo IAPETC (Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Empregados em Transportes e Cargas). Contudo, sendo um trabalhador incansável e dinâmico desde a sua adolescência, o "Alemãozinho" manteve-se na ativa como proprietário de um conjunto de lojas no Mercado Central, até às vésperas de sua morte, em 28 de fevereiro de 1967, pouco antes de completar 71 anos de idade. Em uma justa homenagem a este pioneiro dos transportes no Maranhão, a Câmara Municipal da capital, por iniciativa do vereador Benedito Pires I, conferiu o nome de Vicente Serejo Dias à plataforma do primeiro Terminal de
Integração dos ônibus de São Luís (Lei no 3.643, de 11 de novembro de 1997), localizado no Anel Viário.
Texto: Wagner Cabral da Costa (Historiador – Msc. Em História Social do Trabalho) .
Revisão: Marcos Aurélio Alves Freitas (Diretor CAPIT 09).
|